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Aprender deve ser divertido? Ou não?

Dia 02/03, postei em meu perfil do Facebook uma opinião que levo extremamente a sério na minha prática profissional. Veja abaixo:

Esta opinião gerou algumas reações interessantes que replico abaixo:

Este assunto está literalmente martelando na minha cabeça, porque uma das opiniões remete que a diversão  ou o prazer leva a falta de seriedade.

Então fiquei pensando em como me esforço para imaginar a aula mais legal possível para os meus alunos. Toda semana eu desejo que eles saiam da minha aula com a sensação de que aquela foi a melhor aula da vida deles. Desejo que eles se sintam participantes do processo de aprendizagem e que isso não seja um segredo, eu faço questão que eles entendam que eu preciso muito deles para que nossas aulas resultem em sucessos constantes. Eles sabem que podem aprender e criar sozinhos e também entenderam que eles também podem aprender, criar  e compartilhar com o outro as suas ricas experiências.

Quanto ao trabalho, eu vivo repetindo por aí: meu trabalho é pura diversão! Amo o que faço e sinto um prazer imenso em sair da cama de manhã sabendo o que me espera durante o dia.

Eu gostaria de saber a opinião de vocês!

Aprender deve ser divertido? Ou ser divertido tira a seriedade e dispersa o aluno? Quais são as suas experiências? Quais são as suas percepções sobre este tema?

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  1. 07/03/2011 às 11:25

    Olá Debora, também sou como você. Sempre trabalhei no que quis e nunca cheguei brava ou de mau humor para trabalhar, muito pelo contrário. Se tinha algum problema eu o esquecia assim que colocava os pés na escola e só voltava a lembrar dele quando saia. Conservo este mesmo astral até hoje quando trabalho por puro prazer sendo que já faz 8 anos que me aposentei por tempo de trabalho (30 anos).
    Ocorre que esta visão de separar o trabalho do prazer ou da diversão vem do tempo da escravidão onde os “senhores poderosos” não permitiam que os escravos se divertissem enquanto trabalhavam. Quando os escravos cantavam era como um lamento, não tinha nada de diversão. A igreja também sempre pregou o sacrifício e o flagelo como um caminho para chegar até Deus, portanto o trabalhar suando sangue fazia com que se sentissem merecedores do Paraíso. Estes conceitos ainda estão impregnados no nosso consciente coletivo e precisamos mesmo arrancá-los, pois quando fazemos o que gostamos o fazemos com prazer e o prazer ajuda a misturar o ingrediente da diversão. Quantas vezes, em sala de aula, propunha uma atividade lúdica para meus alunos do fundamental e eles, não se dando conta de que estavam em processo de aprendizagem me perguntavam se não íamos ter aula naquele dia. E vale completar que a aprendizagem acontece principalmente pela emoção. Ninguém precisa levar um choque várias vezes para aprender que colocar o dedo na tomada é perigoso. Uma vez já é o suficiente. O mesmo acontece quando realizamos uma atividade extremamente lúdica e significativa, a aprendizagem acontece imediatamente.

    • 07/03/2011 às 19:25

      Cybele,

      Estas situações também já aconteceram muito comigo no início, tanto com meus pequenos quanto com os alunos do fund II e do médio, quando tenho oportunidade de fazer intervenções. Eles achavam que não era aula porque podiam se expressar, participar constantemente e sorrir sem levar bronca.

      A coisa mais gostosa do mundo é ver que eles não querem ir embora quando bate o sinal e dizem que a aula foi irada!

  2. 07/03/2011 às 15:11

    Aprender pode e deve ser divertido. O que não exclui o fato que também dá trabalho, exige dedicação, esforço, concentração, mas isto tudo faz parte do processo e não é tortura quando o aluno sabe onde quer chegar. Ninguém atinge excelência sem treinar, insistir, pesquisar, ou seja, trabalhar muito. Mas, se você sabe onde quer chegar, isto não é sacrifício. Sacrifício é ficar horas intermináveis em atividades que não fazem nenhum sentido nem para quem ensina e muito menos para quem aprende.

  3. 07/03/2011 às 15:45

    Olá, querida Débora!
    Também não entendo porque muitos colegas acreditam que o processo de ensino/aprendizagem não pode ser prazeroso, ou que para ser divertido é necessariamente “bagunçado”.
    Muito pelo contrário, penso que às vezes tornar o ensino divertido, dá até mais trabalho, pois precisa ser mais inovador, requer mais pesquisa, mais planejamento.
    Muitas vezes os professores que se aproximam mais dos alunos, são até mais respeitados por eles. A postura do profissional diante dos alunos é o seu diferencial, não os recursos que utiliza. A aula mais divertida, mais prazerosa, certamente trás o aluno para mais perto da aprendizagem.
    Beijo grande

  4. 07/03/2011 às 16:57

    Oi Débora,Fernanda, Cybele, Daisy!

    Também tenho convicção de que aprender e professorar pode ser divertido, prazerozo, estimulante, encantador, apaixonante! E exige muito mais preparo e competências do professor. As vezes até ficamos cansados de tanta energia dispendida mas muito felizes e realizados se percebemos que os alunos avançam, criam, produzem, vão além.

    Gostaria de ver mais pessoas apaixonadas nesse processo e não meramente cumprindo o roteiro…

    Já trabalhar no que não gostamos e especialmente se gestado de modo a que não possamos construir a proposta é muuuiiitoooo ‘b….’ e triste! 😦
    Estamos engatinhando nisso, porque o Sistema em muitos espaços permanece convencional.

    E é por isso que estou sempre falando da importância da formação docente para promovermos mudanças e mais rápido, por favor!! Até quando a escola vai permanecer com práticas do século passado??

    Débora, gostaria de saber mais do teu trabalho…Tem como conhecer? No blog? Onde?

    []s Paula 🙂

    • 07/03/2011 às 19:16

      Paula,

      Eu não sou professora em tempo integral…rs Eu inventei um projeto que deu super certo e tem motivado os professores do meu colégio devido ao resultado, se quiser dar uma olhada http://iepioneiro.blogspot.com/

      Fora isso eu trabalho no laboratório de informática e sempre que um professor topa inovar eu acompanho a aula com ele e até faço a mediação para ajudá-los a se adaptar e tomar o cuidado de não usar o novo para fazer o velho.

      Estou iniciando um projeto de longo prazo sobre internet segura, fato que me deixou extremamente feliz, finalmente consegui o apoio de todos.

      E também preparo a formação continuada dos professores para web 2.0, entretanto, a participação não é obrigatória. Eu rebolo para motivar e convencer 🙂

      Pesquiso, mando as novidades para os professores, estudo o planejamento deles e proponho novas maneiras de fazer e por aí vai.

      Eu moro e trabalho em SP, se quiser passar lá um dia desses está convidada 🙂

  5. 07/03/2011 às 19:10

    Fico feliz da vida de ver que nós estamos em consonância quanto a atuação docente. Reafirmo o que já disse e vocês também, realmente tornar a aula divertida dá um trabalho danado. Falar a língua do aluno exige pesquisa constante, exige que nós educadores estejamos sempre trocando como fazemos bem nas redes sociais e através de nossos blogs.

    Sigamos assim pessoal,
    Abraço.

  6. Breno
    08/03/2011 às 11:00

    Viver deve ser divertido! E como viver é aprender, aprender deve ser divertido. E como ao ensinar aprendemos ( e como), ensinar deve ser divertido! E é importante saber diferenciar diversão de bagunça, palhaçada, enrolação.

  7. 09/03/2011 às 15:46

    Ah,tava pesquisando por ai e achei que você podia postar isso que está no que eu fiz no word,é só copiar,mas não esqueça dos créditos:
    http://www.4shared.com/file/TJErPgPI/tweet.html

  8. 28/03/2011 às 10:06

    Olá Débora,

    Aprender e trabalhar podem ser divertidos, mas não devem ser divertidos. Pois estaria implícito que só o prazer move (bem) as pessoas.

    Muitas coisas boas o fazemos não só pelo prazer mas porque é o necessário ou o certo.

    Esta visão “hedonista” de que só pelo prazer a Escola vai inovar não resiste a realidade.

    A aula/escola deve atender a objetivos. Se o prazer/diversão é um dos caminhos, ótimo. Mas não é o único!

    Um pequeno exemplo: Um atleta de ponta (troque por um aluno) não treina só enquanto tem prazer. As vezes continua treinando mesmo quando está com dores… Mas o faz pois tem um objetivo claro e que lhe interessa.

    De que adianta uma aula “prazerosa” para que 40 alunos aprendam calcular a transposta de uma matriz? Nem todos precisam aprender a transposta de uma matriz. E nem todos que precisam o farão porque é divertido!

    Sendo bem simplista diria que fazemos as coisas bem quando ou é divertido ou entendemos que é necessário! Pode até ser os dois simultaneamente, mas não será sempre.

    abraços

  9. Eu
    14/04/2011 às 8:05

    Post lindo e MARAVILHOSO! 🙂

  10. Chico Lopres
    13/05/2011 às 17:41

    Deveria sair uma materia sobre isso numa revista!!!
    Muito bom!
    Muito importante!

  11. 14/05/2011 às 8:48

    O esforço pode ser divertido, no mínimo quando acaba e se vê o resultado atingido. O que não pode existir a meu ver é a falta de sentido, de significado. Um bailarino, um atleta, um músico, um cientista, gastam horas e mais horas treinando, pesquisando, buscando a excelência da performance e frente ao resultado conquistado o prazer é muito grande. Insuportável é fazer/aprender coisas que não nos trazem nenhum sentido.

  12. 30/10/2011 às 4:24

    Olá Débora, demais e em especial Sérgio,

    Sérgio, não sei se usamos o ‘divertido’ com igual percepção mas fiquei pensando no que comenta: “Aprender e trabalhar podem ser divertidos, mas não devem ser divertidos. Pois estaria implícito que só o prazer move (bem) as pessoas.”
    Se possuo uma visão ‘hedonista’ não parei para pensar, de todo modo não vejo nada de errado em só fazer o que nos traz felicidade.
    Se tem sentido e significado o que fazemos, tudo torna-se divertido sim, prazeroso e fazemos com a maior disposição.
    Ilustro com a atividade pós uma super exposição, onde os alunos demonstraram suas produções aos pais e comunidade, puderam refletir a trajetória, constatar a valorização do Outro e mais ‘se depararem com o protagonismo’ de suas ações que impactaram e influenciaram os irmãos menores e outros a desejarem estar lá. Isso também tem a ver com o que Daysi Grisolia coloca sobre esforço. Passada o evento é chegado o momento de guardar tudo, reorganizar no espaço de exposição permanente, consertar o que judiou com o transporte ou para fixar, muitas idas e vindas, escadas e absolutamente não vimos a atividade como enfadonha, dever, nada disso. Fizemos com muito prazer, nos divertimos quando ocorriam acidentes e ao final nos ‘atiramos’ e lanchamos cansados e realizados.
    Era algo necessário e certo a fazer mas fizemos por desejo, porque curtíamos e cuidávamos do que era nosso, de nosso interesse e paixão.
    O exemplo do atleta de ponta não me parece muito adequado ser trocado por um aluno, pois entendo que a educação não deve contemplar treinamentos e muito menos que exijam esforços repetitivos e pior, visando superar ao Outro e a si mesmo para ser o melhor.
    Se fosse mãe, jamais poria meu filho em uma escola assim. Só concordaria que meu filho entrasse numa assim, se partisse dele, por desejo, paixão e havendo, não creio que entraria em questão a obrigação e o dever. Isso são elementos de coisas impostas e aprender e se desenvolver no que é de interesse e paixão é sinônimo de alegria, satisfação e divertimento para mim.
    Acredito que nossas escolas estão erradas ao trabalhar e ‘exigir’ que todos aprendam determinados conteúdos e fazeres. Seria muito interessante termos portfólios curriculares pessoalizados para os alunos. Precisamos é dialogar muito sobre isso e provocar reflexões sobre o sentido e importância para os alunos. E não havendo, oferecer alternativas.
    Registro que sempre detestei química, física e muito da matemática e pouco aprendi e ‘sobrevivi’ feliz da vida. Como fiz? Colei! Muitas gaitinhas para responder ao que considerava babaquices – ainda mais no ‘ensino’ lecionante e descontextualizado que tive.
    Hoje, adulta, não sei se o senso ético permitiria mas se tivesse de aprender o que não interessa naqueles moldes, provavelmente buscaria outras coisas para fazer e abandonaria a escola… Sei lá… Se disso dependesse a ‘passagem’ para poder fazer o desejado.
    No vestibular, apesar dos cursinhos, pouco aprendi e nas provas ‘gabaritei’ ao contrário [:D]: marquei uma só letra sabendo que acertaria algumas e ‘ok’ deu certo.
    Hoje, percebo que a matemática pode contribuir para a gestão de negócios e vou buscar construir os saberes necessários e desejados para o fim. Porque o fim é paixão e se tiver de me esforçar farei por desejo e será divertido sim. 😉

    E fico com ‘Eu’ 😀 e Chico Lopres: digno de algo mais! Um artigo, uma enquete, um twitcam, papos na rede, um fórum…
    [ ]’s e bzzuuss cara Débora e Tks pelo ‘convite’!! 😉

  13. Thaís
    03/07/2013 às 15:34

    Muito bom!´

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