Entrevista REA

Olá pessoal! Compartilho aqui a entrevista que dei ao blog REA. Vocês estão trabalhando nesta perspectiva? Quem gostaria de trocar figurinhas comigo? Comentários e sugestões são sempre bem-vindos.

Quando e como descobriu REA?

Descobri os Recursos Educacionais Abertos em 2007, quando iniciei meu mestrado na área de Tecnologia Educacional. Na verdade, tratava-se de objetos de aprendizagem (hoje sei que não é a mesma coisa) e na época ninguém estava tão preocupado com licenças e remixagem, mas sim com formatos e distribuição de materiais que pudessem ser usados pelo maior número possível de educadores. Naquele contexto, a criação estava focada nas universidades que recebiam verbas para este fim, mas nós já éramos estimulados a criar recursos e distribuí-los pela internet. O grande problema na época é que cada repositório usava um formato diferente e esta discussão estava “em alta”. O foco era a reutilização e faltava incentivo para a produção.

Comecei a trabalhar na escola com Tecnologia Educacional em 2010 e foi então que comecei a fazer um estudo mais profundo sobre REA. Em princípio, incomodava-me o fato de os alunos acharem que os conteúdos disponíveis na internet não tinham “dono” e que os professores utilizavam materiais de busca na internet sem citar as fontes. É como se no imaginário coletivo fontes fossem somente a dos livros e o material digital como imagens, vídeos e animações não estivesse inserido nesta premissa.

A discussão sobre REA se abriu com intensidade pra mim quando comecei a participar do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital (projeto do Programa Educarede Brasil, iniciativa da Fundação Telefônica em parceria com a Organização dos Estados Iberoamericanos com execução do Instituto EducaDigital). Ali havia outros educadores tão cheios de dúvidas quanto eu e era possível estabelecer uma discussão e reflexão coletiva para ampliar os horizontes. Por meio do Grupo de Estudos descobri o blog “rea.net”, que na minha opinião, é um espaço importante para sanar dúvidas e acompanhar iniciativas interessantes.

Que experiências/projetos/ideias desenvolveu?

Comecei a usar REA quando criei um projeto diferenciado de uso de tecnologia focado no protagonismo com os alunos de 4 a 10 anos do período integral opcional do colégio em que trabalho. Fazia questão também de expor e refletir com eles sobre os materiais que usávamos e assim, desde muito pequenos, eles internalizavam conceitos importantes como autoria e o compartilhamento da cultura. Começamos como usuários e gradativamente estamos nos tornando autores, publicando nossos trabalhos criativos no nosso blog de trabalho. Por aqui, trabalhamos muito com games, fotografia e vídeos.

Aos poucos comecei a estender esses conceitos importantes para os alunos do ensino fundamental II e ensino médio em projetos que os professores denominam “avaliação diferenciada”. Foi a brecha que encontrei para discutir com eles a questão dos recursos educacionais abertos. Nós simplesmente construímos o assunto durante a execução dos trabalhos. Eu tento ajudá-los a redirecionar a pesquisa incentivando-os a usar REA e também a produzir, fortalecendo assim essa troca importante de experiências educativas.

Depois de muita pesquisa, leitura e troca com educadores de todos os cantos do país, principalmente por meio do Twitter e Facebook, em julho/2011, ofereci a 1ª oficina do colégio que abordava o tema Recursos Educacionais Abertos para todos os professores. A adesão foi opcional e o número de participantes foi pequeno, mas entre eles, estavam 90% dos coordenadores de área, fato que achei relevante para que a informação comece a circular e ganhar força. Novas intervenções estão previstas para este ano ainda.

Também mantenho um blog onde escrevo e divulgo informações basicamente sobre educação e cultura digital e resolvi colocar nele e em todo material de minha produção o selo do Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa que se interesse pelos temas que produzo reutilize, distribua e remixe estes materiais.

Pra você, o que é REA

Tenho estudado tanto sobre REA que é inevitável que me venha à cabeça uma definição quase que decorada! REA são materiais educacionais que podem ser utilizados, alterados, remixados e compartilhados livremente. Entretanto, com minhas palavras, REA significa a possibilidade de aceder e compartilhar o conhecimento livremente, é uma verdadeira quebra de paradigma, a possibilidade de partir da situação de receptor (ainda que esta possibilidade exista) que reinou na educação por tanto tempo, e se tornar autor e protagonista da aprendizagem individual e coletiva.

É uma possibilidade incrível de criação colaborativa dentro do nosso próprio contexto e de libertação de sistemas pré-determinados, como seguir apostilas e/ou cartilhas, afinal, nem sempre estes materiais fechadinhos contemplam as regionalidades e os objetivos que gostaríamos de alcançar.

O que espera como próximos passos dos REA no Brasil?

Eu sinto que existe uma carência muito grande de materiais em língua portuguesa. Acredito que seria necessária alguma estratégia para que a filosofia REA chegasse às escolas de fato e esta ideia fosse multiplicada e integrada. A história conta que estas iniciativas deram certo enquanto existia financiamento e quando o dinheiro acabou os projetos não tiveram continuidade.

No âmbito das escolas, acredito que o 1º passo seria ter uma frente de capacitadores/dinamizadores. Abordagens online e a distância também seriam bem-vindas, não somente com o uso de plataformas EAD como o Moodle, mas também em redes abertas e mais dinâmicas com a criação de grupos no Facebook, tag permanente no Twitter. A própria comunidade REA poderia contribuir realizando Twitcams com periodicidade. Essas são apenas algumas possibilidades que me vêm à cabeça.

No âmbito dos governos, seria um passo importante, por exemplo, ter projetos semelhantes ao Projeto Folhas do estado do Paraná. Tornar ou dar oportunidade para que professores e alunos se tornem autores e usem formatos abertos depende de mudanças na estrutura, e sabemos que a escola é uma instituição que resiste às mudanças e muitas vezes, teme o novo.

Outra questão seria definir e divulgar em massa um local onde esses materiais poderiam ser encontrados e/ou compartilhados pelos professores e alunos de escolas públicas e privadas.

O que diria para educadores que desejam começar a trabalhar por e com REA

O que posso dizer é que se você é educador, tem interesse e/ou conhece um pouco sobre REA, participe das comunidades e/ou grupos, procure ampliar os horizontes, discuta, reflita com seus pares e não deixe de levar a ideia adiante na sua instituição. Dificilmente os professores da sua escola vão descobrir os recursos educacionais abertos sozinhos, é preciso que todos sejamos co-responsáveis por disseminar esta ideia.

Débora Sebriam é educadora, integrante da equipe de Tecnologia Educacional do Centro Educacional Pioneiro, mediadora de redes sociais do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital e Instituto EducaDigital.

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