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REA: a educação no mundo digital

No dia 20 de setembro, o Cenpec realizará o encontro Recursos Educacionais Abertos: a educação no mundo digital, que irá promover um debate sobre o impacto da proposta dos REA na área da educação, abordando questões como democratização do acesso ao conhecimento e valorização da autoria do professor.

O evento ocorrerá em São Paulo e terá transmissão online, das 17h00 às 19h30 por meio do site do Cenpec e da Fundação Vanzolini.

Reprodução

Fonte: Portal Cenpec

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Entrevista REA

Olá pessoal! Compartilho aqui a entrevista que dei ao blog REA. Vocês estão trabalhando nesta perspectiva? Quem gostaria de trocar figurinhas comigo? Comentários e sugestões são sempre bem-vindos.

Quando e como descobriu REA?

Descobri os Recursos Educacionais Abertos em 2007, quando iniciei meu mestrado na área de Tecnologia Educacional. Na verdade, tratava-se de objetos de aprendizagem (hoje sei que não é a mesma coisa) e na época ninguém estava tão preocupado com licenças e remixagem, mas sim com formatos e distribuição de materiais que pudessem ser usados pelo maior número possível de educadores. Naquele contexto, a criação estava focada nas universidades que recebiam verbas para este fim, mas nós já éramos estimulados a criar recursos e distribuí-los pela internet. O grande problema na época é que cada repositório usava um formato diferente e esta discussão estava “em alta”. O foco era a reutilização e faltava incentivo para a produção.

Comecei a trabalhar na escola com Tecnologia Educacional em 2010 e foi então que comecei a fazer um estudo mais profundo sobre REA. Em princípio, incomodava-me o fato de os alunos acharem que os conteúdos disponíveis na internet não tinham “dono” e que os professores utilizavam materiais de busca na internet sem citar as fontes. É como se no imaginário coletivo fontes fossem somente a dos livros e o material digital como imagens, vídeos e animações não estivesse inserido nesta premissa.

A discussão sobre REA se abriu com intensidade pra mim quando comecei a participar do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital (projeto do Programa Educarede Brasil, iniciativa da Fundação Telefônica em parceria com a Organização dos Estados Iberoamericanos com execução do Instituto EducaDigital). Ali havia outros educadores tão cheios de dúvidas quanto eu e era possível estabelecer uma discussão e reflexão coletiva para ampliar os horizontes. Por meio do Grupo de Estudos descobri o blog “rea.net”, que na minha opinião, é um espaço importante para sanar dúvidas e acompanhar iniciativas interessantes.

Que experiências/projetos/ideias desenvolveu?

Comecei a usar REA quando criei um projeto diferenciado de uso de tecnologia focado no protagonismo com os alunos de 4 a 10 anos do período integral opcional do colégio em que trabalho. Fazia questão também de expor e refletir com eles sobre os materiais que usávamos e assim, desde muito pequenos, eles internalizavam conceitos importantes como autoria e o compartilhamento da cultura. Começamos como usuários e gradativamente estamos nos tornando autores, publicando nossos trabalhos criativos no nosso blog de trabalho. Por aqui, trabalhamos muito com games, fotografia e vídeos.

Aos poucos comecei a estender esses conceitos importantes para os alunos do ensino fundamental II e ensino médio em projetos que os professores denominam “avaliação diferenciada”. Foi a brecha que encontrei para discutir com eles a questão dos recursos educacionais abertos. Nós simplesmente construímos o assunto durante a execução dos trabalhos. Eu tento ajudá-los a redirecionar a pesquisa incentivando-os a usar REA e também a produzir, fortalecendo assim essa troca importante de experiências educativas.

Depois de muita pesquisa, leitura e troca com educadores de todos os cantos do país, principalmente por meio do Twitter e Facebook, em julho/2011, ofereci a 1ª oficina do colégio que abordava o tema Recursos Educacionais Abertos para todos os professores. A adesão foi opcional e o número de participantes foi pequeno, mas entre eles, estavam 90% dos coordenadores de área, fato que achei relevante para que a informação comece a circular e ganhar força. Novas intervenções estão previstas para este ano ainda.

Também mantenho um blog onde escrevo e divulgo informações basicamente sobre educação e cultura digital e resolvi colocar nele e em todo material de minha produção o selo do Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa que se interesse pelos temas que produzo reutilize, distribua e remixe estes materiais.

Pra você, o que é REA

Tenho estudado tanto sobre REA que é inevitável que me venha à cabeça uma definição quase que decorada! REA são materiais educacionais que podem ser utilizados, alterados, remixados e compartilhados livremente. Entretanto, com minhas palavras, REA significa a possibilidade de aceder e compartilhar o conhecimento livremente, é uma verdadeira quebra de paradigma, a possibilidade de partir da situação de receptor (ainda que esta possibilidade exista) que reinou na educação por tanto tempo, e se tornar autor e protagonista da aprendizagem individual e coletiva.

É uma possibilidade incrível de criação colaborativa dentro do nosso próprio contexto e de libertação de sistemas pré-determinados, como seguir apostilas e/ou cartilhas, afinal, nem sempre estes materiais fechadinhos contemplam as regionalidades e os objetivos que gostaríamos de alcançar.

O que espera como próximos passos dos REA no Brasil?

Eu sinto que existe uma carência muito grande de materiais em língua portuguesa. Acredito que seria necessária alguma estratégia para que a filosofia REA chegasse às escolas de fato e esta ideia fosse multiplicada e integrada. A história conta que estas iniciativas deram certo enquanto existia financiamento e quando o dinheiro acabou os projetos não tiveram continuidade.

No âmbito das escolas, acredito que o 1º passo seria ter uma frente de capacitadores/dinamizadores. Abordagens online e a distância também seriam bem-vindas, não somente com o uso de plataformas EAD como o Moodle, mas também em redes abertas e mais dinâmicas com a criação de grupos no Facebook, tag permanente no Twitter. A própria comunidade REA poderia contribuir realizando Twitcams com periodicidade. Essas são apenas algumas possibilidades que me vêm à cabeça.

No âmbito dos governos, seria um passo importante, por exemplo, ter projetos semelhantes ao Projeto Folhas do estado do Paraná. Tornar ou dar oportunidade para que professores e alunos se tornem autores e usem formatos abertos depende de mudanças na estrutura, e sabemos que a escola é uma instituição que resiste às mudanças e muitas vezes, teme o novo.

Outra questão seria definir e divulgar em massa um local onde esses materiais poderiam ser encontrados e/ou compartilhados pelos professores e alunos de escolas públicas e privadas.

O que diria para educadores que desejam começar a trabalhar por e com REA

O que posso dizer é que se você é educador, tem interesse e/ou conhece um pouco sobre REA, participe das comunidades e/ou grupos, procure ampliar os horizontes, discuta, reflita com seus pares e não deixe de levar a ideia adiante na sua instituição. Dificilmente os professores da sua escola vão descobrir os recursos educacionais abertos sozinhos, é preciso que todos sejamos co-responsáveis por disseminar esta ideia.

Débora Sebriam é educadora, integrante da equipe de Tecnologia Educacional do Centro Educacional Pioneiro, mediadora de redes sociais do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital e Instituto EducaDigital.

De consumidores passivos a produtores do conhecimento

Experiências do Centro Educacional Pioneiro e Colégio Visconde de Porto Seguro sobre alguns usos da Tecnologia na Educação.

O Colégio Visconde de Porto Seguro está montando uma grande equipe de especialistas em Tecnologia da Educação, que deverá chegar ao número de 30 pessoas até o final deste ano e terá como finalidade fazer a inserção das chamadas TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) no desenvolvimento de seu projeto pedagógico. “Estamos olhando a tecnologia como meio e não como fim, como instrumento de trabalho do aluno e do professor, colocando ambos como autores e produzindo conteúdo através desses recursos”, afirma Renata Pastore, diretora de Tecnologia da Educação da escola, especializada em Mídias Digitais para a área. Já o Centro Educacional Pioneiro implantou um Programa de Informática Educativa para atender aos seus alunos do horário integral, mas dispõe de especialistas que auxiliam professores e alunos no uso dessas tecnologias em suas atividades curriculares.

Os dois casos ilustram bem a expansão do uso de softwares, games e recursos interativos da web 2.0 como recursos de ensino-aprendizagem. Revelam ainda uma tendência e uma transição. Na transição, observa-se que as antigas aulas de informática, que tinham como foco apenas ensinar o aluno a usar a nova ferramenta, deram lugar a uma nova postura, de domínio e produção de conhecimento a partir da aplicação desses instrumentos. Já a tendência aponta para a incorporação crescente da tecnologia como componente indispensável ao desenvolvimento do projeto pedagógico.

No Colégio Porto Seguro, que possui unidades nos bairros do Morumbi e Panamby, zona Sul de São Paulo, e no município de Valinhos, 1.200 máquinas estão hoje voltadas ao uso exclusivo pelo setor pedagógico, “100% delas com cobertura Wi-Fi”, diz Renata.

Até o final deste ano, cada sala de aula da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental estará equipada com lousas digitais, mas todas as salas do colégio já dispõem de computadores. A equipe que está sendo montada pretende, justamente, dar suporte aos professores. Com 10.500 alunos nas três unidades, o Porto Seguro tem hoje cerca de 800 docentes. Parte da capacitação será realizada por meio de um convênio com a Microsoft, de formação de professores inovadores, mas há também educadores que já estão recebendo MacBook Pro, uma plataforma concorrente, para trabalhar com os alunos. Segundo a professora da equipe, Bianca Santana, pesquisadora, mestranda e especialista na área, a intenção é oferecer “diversidade” aos alunos e educadores, o que inclui até oficinas de desenvolvimento de novos hardwares a partir do reaproveitamento de materiais obsoletos.

Nesse sentido, as diferentes plataformas, softwares (livres ou não), jogos e redes vinculadas à web 2.0 acabam compondo um rico mosaico de possibilidades de exploração e reconstrução do conhecimento. Segundo Débora Sebriam, coordenadora de Tecnologia Educativa do Centro Educacional Pioneiro, escola localizada na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, há forte tendência para um uso cada vez maior das redes sociais, como Twitter, YouTube e Facebook. Mestre em Engenharia de Mídias para a Educação, Débora revela, por exemplo, que neste semestre programou com os alunos o desenvolvimento de atividades com o Twitter e produção de animações para publicação no You Tube.

Os softwares, para sobreviver neste contexto, terão que se integrar às redes sociais, pois a grande vantagem destas, segundo pontua Débora, “é a possibilidade de abrir e compartilhar conhecimento, gerar debates, críticas e colaborações, inspirar outras iniciativas”. O Twitter, com sua limitação de 140 caracteres, auxilia no desenvolvimento de textos claros e objetivos. O Facebook, por sua vez, amplia a possibilidade de debate em um grupo, permite inserir notas e comentários. “Ele possui recursos para se transformar em uma plataforma educativa”, observa Débora, destacando que algumas instituições de ensino superior já o utilizam com essa finalidade.

Na abordagem com os professores, o especialista procura orientar sobre qual dessas ferramentas melhor se adapta às ideias ou projetos. “Pode ser a web 2.0 (com blogs, redes sociais e recursos como o Google Earth ou Google Art Project), games ou softwares de autoria, como o Visual Class ou o Hot Potatoes, que fornecem possibilidades de se montar um roteiro inteiro de associações, palavras cruzadas, jogo da memória.” Ambos os softwares são indicados, por exemplo, para os processos de alfabetização, enquanto as redes sociais podem ser trabalhadas a partir do 5º ano. O 2º ano do Ensino Médio do Pioneiro utilizou a ferramenta Google Sketchup em suas aulas de Desenho Geométrico, quando foram tratados elementos como Prisma, Pirâmide, Cilindro e Cone (confira no link http://piomedio. blogspot.com/2011/06/2oem–usando-google-sketchup-nas-aulas. html). Os estudantes do 9º ano, por sua vez, conquistaram o 3º lugar em um concurso de produção de vídeos digitais, o KWN (Kid Witness News), promovido pela Panasonic, abordando o tema da comunicação e explorando os perigos ocultos e inerentes às redes sociais (confira em http://pioneironews.blogspot.com/2011/04/concurso–panasonic-kwn-2011-somos-3.html).

RECURSOS LIVRES
Uma das possibilidades das escolas é optar por programas de uso livre, os quais se inserem na concepção dos chamados Recursos Educacionais Abertos. A educadora Bianca Santana, participante do Projeto REA-Br, afirma que este conceito atinge a qualquer material que o professor venha a utilizar em seu trabalho, de livros impressos a softwares. Segundo ela, os produtos têm um autor, que deve ser reconhecido e remunerado, mas a ideia é poder produzir algo novo em cima deste trabalho, dando ao professor a possibilidade de adaptá-lo a uma realidade ou região.

“O professor sai então do papel passivo de consumidor para uma posição ativa de autor e pode convidar o próprio aluno a também se tornar um autor”, complementa. Mas Bianca defende que as escolas possibilitem o acesso dos estudantes a todos os tipos de softwares, mesmo os licenciados, “para mostrar aos alunos a diversidade dos sistemas operacionais, permitindo a eles ser fluentes em diferentes linguagens e plataformas móveis”. Bianca arremata que “autonomia” e “diversidade” são duas palavras-chaves em tecnologia educativa. “O papel da escola é convidar o aluno para ser sujeito da produção”, arremata a pesquisadora.

Por Rosali Figueiredo

 Matéria publicada na Revista Direcional Escolas – Edição 70 – Ago/11

Evento: Política Cultural e Direitos Autorais

No dia 24/08, no Auditório do Ibirapuera em São Paulo estarão reunidos, a partir das 20h, alguns dos principais nomes que pensam a política cultural no Brasil e internacionalmente.

A mesa será formada por Lawrence Lessig, professor da universidade de Harvard e renomado especialista em direito autoral  (co-fundador do projeto Creative Commons), Gilberto Gil, músico e ex-ministro da cultura, Danilo Miranda, diretor geral do SESC São Paulo, Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedae da Fundação Getulio Vargas, Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e Claudio Prado, da Casa de Cultura Digital de São Paulo e a deputada Manuela D´Ávila.

O evento é organizado pelo Auditório Ibirapuera, dentro da série Pensar Música, em parceria com o Instituto Overmundo, o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e a Casa de Cultura Digital.

A entrada é franca, por ordem de chegada, até completar a capacidade de 800 lugares. Haverá disponibilização de 200 fones de tradução simultânea.

Fonte/Reprodução: CTS-FGV

PNBL deveria focar mais do que infraestrutura

Em entrevista divulgada no Guia das Cidades Digitais, mais uma vez, reitero minha opinião sobre a necessidade de uma ação para disseminar a ideia dos cuidados básicos que devemos ter ao navegar na internet.

Reproduzo abaixo a matéria e de antemão gostaria de saber a opinião de vocês sobre o tema, se concordam ou não comigo, o que acrescentariam a uma proposta deste tipo e por aí vai.

Debora Sebriam, educadora e mestre em Engenharia de Mídias para a Educação, acredita que o fomento ao uso da internet no Brasil deveria ir além do barateamento de custos de acesso. Para ela, é essencial incentivar um uso criativo e seguro da rede mundial de computadores

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) finalmente começou a sair do papel. O foco do programa e da maioria das críticas a ele direcionado é a conexão. Muito se fala de custos e formas de acesso, mas pouco se discute sobre como a população recém-chegada à rede mundial de computadores a usará. Para a educadora Debora Sebriam, mestre em Engenharia de Mídias para a Educação pela Universidade Técnica de Lisboa, pela Universidade Poitiers (França) e pela Universidade de Educação a Distância da Espanha, a falta de uma vertente educativa é o grande problema.

Nesta entrevista ao Guia das Cidades Digitais, Debora Sebriam explica seus argumentos e alerta para a necessidade de uma campanha pelo uso criativo e seguro da internet no país. Longe de querer controlar a utilização da rede, ela acredita que o uso básico da internet pode ser alcançado de maneira quase intuitiva. O problema seria como ir além da simplicidade sem cair em golpes, expôr-se em excesso ao mesmo tempo em que não haja censura na rede.

Segundo a educadora, que hoje trabalha no Centro Educacional Pioneiro e no Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital realizando a gestão de Redes Sociais, a adoção de práticas polêmicas, como o download de arquivos e seu compartilhamento, deve ser incentivada, pois faz parte da nova forma de educar da atualidade.

Guia das Cidades Digitais – Em um recente evento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), você fez críticas ao PNBL. Poderia expô-las novamente?

Debora Sebriam – Na verdade, um dos focos do evento foi a educação, e a minha crítica é que informações sobre segurança, comportamento e ética são temas não privilegiados se pensarmos na divulgação de larga escala. Qualquer pessoa é capaz de aprender a “navegar” por estes novos mares sozinha, aos poucos as pessoas vão se apropriando de ferramentas que fomentam a comunicação, a colaboração e o compartilhamento de informação e conhecimento.

Entretanto, existem muitas lacunas que nem sempre são possíveis de serem preenchidas pela simples curiosidade do usuário, e não é à toa que vemos um cenário de superexposição das pessoas, principalmente nas redes sociais, e de golpes cada vez mais frequentes envolvendo roubos de dados, por exemplo. Acredito que seria interessante adicionar ao PNBL, além do acesso à internet, campanhas de âmbito nacional que levem informações concretas à população sobre crimes digitais, pedofilia, os limites da exposição e outros temas de interesse.

GCD – Você defende o uso ético das mídias digitais. Como ele pode ser ensinado e garantido?

Débora – O primeiro ponto seria desmistificar que existe uma vida online “anônima”, separada da vida “real”. A nossa imagem é a mesma “dentro” das mídias sociais ou fora delas e tudo o que fizermos online será considerado parte de nossas ações. Portanto, o respeito, a solidariedade e a ética valem para todos os meios de convivência a que somos expostos, inclusive o online. O que temos até o momento são cartilhas impressas e online e alguns vídeos informativos direcionados muitas vezes a crianças, mas nem isso chega de fato a todas as escolas do país, quanto mais a toda população. Acredito que o melhor meio seria o que atinge o maior número de pessoas e, neste caso, a televisão seria uma opção, e, é claro, as redes sociais, que absorvem um número cada vez maior de pessoas em nosso país.

GCD – Há diversas tentativas de se regular o uso da internet no Brasil por meio de leis. É uma boa maneira de se evitar crimes e infrações?

Débora – Quem comete os crimes parece estar sempre um passo à frente, portanto, aceitar leis que criem o vigilantismo sobre o usuário comum, guardando seus dados de navegação e identificação, seria na verdade mais um motivo de preocupação. Outro ponto é criminalizar práticas que se tornaram comuns conforme fomos avançando na cibercultura, como a digitalização de músicas, o desbloqueio de celular, o compartilhamento de outro tipos de arquivos, que na verdade favorecem o acesso à cultura livre e também faz com que o autor alcance um maior número de pessoas. Ao invés de tentar coibir algo que se tornou cultural e nadar contra a maré, não seria mais viável pensar em alternativas criativas, como a adoção de licenças flexíveis? Acredito que vivemos novos tempos, estamos no meio de um furacão de mudanças que envolvem a maneira como compramos, nos relacionamos, nos comunicamos. Um momento delicado como este merece aprendizagem e discussão coletiva e não proibições e criminalização.

GCD – Em muitos casos, as campanhas educativas utilizam termos próprios de usuários avançados. Qual seria a melhor maneira de se falar para a população em geral?

Débora – Temos aqui uma grande oportunidade de unir forças entre universidades, empresas ligadas a publicidade e marketing, educadores do ensino básico, advogados e outros profissionais para discutir a melhor maneira de se passar uma mensagem que seja objetiva, tenha alcance e que seja compreensível a todos.

GCD – De quem é esse papel de educador? Do Estado? Das principais companhias de internet?

Débora – Não temos mais como distribuir funções como nas fábricas de antigamente, seria interessante começarmos a pensar como “sociedade”, fazer uma chamada pública e convidar todos que tenham interesse para contribuir. Sem dúvida, acredito que a escola é um local privilegiado para se trabalhar com o tema, além de ter professores e alunos como público, pode-se ampliar as ações para os pais e/ou comunidades a que as escolas fazem parte. Neste contexto, todos teriam responsabilidades, escolas públicas e particulares. Em outros contextos, as grandes empresas de comunicação e companhias de internet poderiam contribuir cedendo espaço para divulgação e disseminação de materiais da campanha.

GCD – Como evitar que essa educação se torne doutrinária e cerceadora da livre expressão?

Débora – Uma das grandes características da web que conhecemos hoje é o poder do usuário sobre o conteúdo construído. Todos podem e têm espaço para deixar seu recado. O direito à liberdade de expressão e dos processos de criação deve ser mantido em todas as circunstâncias e este direito deve ser usado com responsabilidade e respeito sempre. Qualquer possibilidade de coibir o avanço da cibercultura seria um retrocesso.

GCD – Você destaca, em suas falas e artigos, a necessidade de utilizar as TICs [Tecnologias da Informação e Comunicação] para criar. Há exemplos positivos neste sentido?

Débora – As TICs definitivamente revolucionaram o processo de criação. Vemos artistas independentes que usam todo o poder da web para divulgar seus trabalhos e ganham fãs e reconhecimento pelo seu talento. No caso da escola, os computadores e outros equipamentos como lousas eletrônicas e tablets mudaram em parte a dinâmica das salas de aulas e proporcionaram momentos de criação que deixaram de ser unilaterais para serem coletivos. Agora estamos na busca de um novo patamar. Do que adianta ter equipamentos avançados que possibilitam a criação e a reflexão coletiva se não mudamos a metodologia? Estamos em busca de um novo jeito de fazer educação. Não será fácil, mas não existe outro caminho.

Fonte: Guia das Cidades Digitais

Do hipertexto opaco ao hipertexto transparente

Do hipertexto opaco ao hipertexto transparente, foi o tema da palestra de Pierre Lévy no Simpósio Hipertexto 2010.

A conferência está dividida em quatros partes, com legendas em português, e publicada no canal de vídeos do Núcleo de Estudos em Hipertexto e Tecnologia Educacional (NEHTE), do Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segurança na Internet

Tirinha auto-explicativa, não?

Fonte: Mentirinhas

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