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Archive for the ‘Tecnologia e Educação’ Category

Cultura Digital: o que os jovens acham disso tudo?

Lucas Gil, aluno do 2º ano do ensino médio do Centro Educacional Pioneiro, participou no dia 03/11/2011, da TV Web do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital.

O Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital foi criado para apoiar educadores interessados em trocar experiências e debater com colegas de todo o Brasil sobre os desafios que as inovações tecnológicas da atualidade trazem para o cotidiano de ensino e aprendizagem na escola.

O tema do programa foi Cultura Digital: o que os jovens acham disso tudo?Lucas participou do programa juntamente com Angélica Nascimento, jovem que participa do Núcleo de Arte e Comunicação (NAC) do Projeto Organismo Comunicação e Arte (OCA). Ela media grupos de trabalho no Projeto OCA e faz mobilização popular por meio de divulgação direta nas redes sociais para o evento comunitário “Café na Oca”.

Confira o programa na íntegra.

Entrevista ao Utilizando Mídias na Educação

Compartilho aqui uma entrevista que dei ao blog Utilizando Mídias na Educação, a pedido da minha querida amiga Fernanda Tardin.

Sugestões, comentários e críticas construtivas são sempre bem-vindas 🙂

Fernanda Tardin: Sabemos que a simples utilização da Tecnologia na Educação sem mudanças inovadoras na metodologia, não trará mudanças significativas ao aprendizado. O que diria aos professores nesse sentido?

Débora Sebriam: É fato que os tempos mudaram, a tecnologia está incorporada na vida das pessoas. Todos fomos “obrigados” a nos adaptar as novas demandas e com a educação não deve (ou não deveria) ser diferente. É importante ter em mente que uma aula tradicional tendo a tecnologia como meio dificilmente despertará o interesse e engajamento dos alunos. Diria aos professores para se desapegarem de velhas práticas e focarem na produção, trabalhar na perspectiva do aluno como autor. Estar atento as mídias que os alunos tem acesso e estão inseridos é um bom começo. À partir do momento que os alunos tem um problema para resolver em equipe, o processo é significativo e o engajamento é natural. Desta forma, saímos do velho esquema de centralização no professor e o foco passa a ser o aluno. Professores e alunos devem ser parceiros da aprendizagem!

Fernanda Tardin: “Redes Sociais são utilizadas como estratégia de ensino por professores.” O que pensa a respeito? As chamadas redes sociais tem se mostrado espaços de grande potencial pedagógico.
Débora Sebriam: Temos vários exemplos no ensino superior do uso das redes sociais como mais um espaço educativo que dá certo! Podemos citar o exemplo da universidade que ofertou um curso inteiro pelo Facebook, ou o caso do professor que usou o Twitter para driblar a greve na universidade, onde todos estavam impedidos de acessar o campus. Estes exemplos se tornam escassos quando pensamos no ensino básico. No caso particular da Educação Básica, sabemos que as crianças e adolescentes cada vez mais cedo ocupam estes espaços, e também sabemos que o objetivo principal deles ao fazer parte destas redes é o relacionamento  e o lazer. Propor atividades pedagógicas dentro de um espaço que é uma linguagem natural destes jovens pode ser muito interessante, mas acho que algumas precauções devem ser tomadas:
  • É importante decidir junto com os alunos a proposta, eles devem se sentir integrados, confortáveis e desafiados a experimentar novas formas de aprender.
  • Outra questão, é não esquecermos que somos escola, e portanto, acho importante respeitarmos a idade mínima de classificação para o acesso as redes. Uma coisa é uma criança menor de 13 anos ter o consentimento dos pais para usar espaços como Orkut e Facebook, outra coisa é a escola, enquanto instituição, ignorar estas regras.
  •  Aconselho a todos os professores que decidirem se aventurar por esses novos campos de experimentação pedagógica criar um perfil “profissional”, ou seja, um perfil específico para atuar com os alunos neste espaço, particularmente, sou contra misturar o perfil pessoal do professor com os alunos nas redes sociais. Imagine seus alunos adolescentes comentando suas fotos da praia, das festas que você frequenta? As pessoas tem uma certa tendência de divulgar muitas informações pessoais e privadas nas redes sociais e qualquer descuido pode gerar um enorme desconforto.
  • É a primeira vez que sua turma vai usar redes sociais para aprender? Vejo aqui uma excelente oportunidade para se introduzir trabalho com  exemplos de bons e maus usos das redes. Faça uma pesquisa e veja o que já foi realizado com a rede que você escolheu, selecione os bons exemplos, como campanhas de doação de sangue, campanhas contra a corrupção, exemplos de uso pedagógico e também apresente “casos”  do mau uso das redes e suas consequências. Todos os dias temos novas notícias de pessoas que extrapolaram o bom senso, que ofenderam outras pessoas, que incitaram o ódio, etc. Trabalhar o uso seguro das telas digitais cabe em toda e qualquer disciplina do currrículo escolar. Tenho trabalhado com meus alunos usando esta dinâmica e os resultados são muito motivadores, eles se interessam, tem oportunidade de falar, de refletir e de debater com seus iguais. Aqui eles estabelecem as regras!
Sei que estou parecendo pessimista, mas não é nada disso! Acredito que as redes sociais são espaços dinâmicos e propícios para o desenvolvimento de atividades pedagógicas. Acho que temos um campo aberto para experimentar, errar, trabalhar o erro, acertar e compartilhar estas experiências.

Fernanda Tardin: Muitas pessoas associam o uso de jogos educativos e outros recursos midiáticos a “bagunça”, “falta de conteúdo”, “brincadeira”, “irresponsabilidade”.  Quais as suas ponderações sobre a questão?
Débora Sebriam: Este é um mito que acredito estar sendo quebrado, entretanto, muitas pessoas pensam assim e se analisarmos mais profundamente, a escola tem como triste histórico separar a aprendizagem do prazer! É fato que muitos pais e professores tem em mente que os games são mero passatempo, que servem para ocupar tempo livre e alguns os veem como catalisadores de violência.
Façamos uma analogia, os jogos tradicionais e os games eletrônicos são construídos com os mesmos elementos estruturais (cenários, estratégia, regras, objetivos, etc), entretanto, as brinquedotecas são bem aceitas e apreciadas dentro de uma instituição escolar, já os games eletrônicos é outro departamento. Agora pense na cultura digital e a grande barreira ainda existente para entrada de tecnologia na escola. Pensou? Pois então, acho que estes conceitos estão interligados, mas é pura opinião pessoal.
Na minha opinião, os games, sejam eles classificados como educativos ou não, tem grande potencial pedagógico, mesmo aqueles que apresentam cenas fortes de violência, o que importa é sua proposta de uso. Evidentemente, ao escolher um game para desenvolver uma atividade pedagógica, é preciso ter claro quais os objetivos a serem atingidos, qual o tipo de avaliação que será empregada e se o conteúdo do game é adequado a idade da sua turma. Um game pode ser usado de diversas formas, você pode fechar um conteúdo específico como forma de feedback, é possível também iniciar e desenvolver todo um assunto com um game ou vários games intercalados, tudo depende do seu planejamento.
Os games oferecem como vantagem o engajamento natural dos alunos com este tipo de interface, promovem improvisação e descoberta, desafio, o desenvolvimento de estratégias, interação, participação, colaboração, aprendizagem com o erro, aprendizagem lúdica, imersão.É importante ter em mente que os games são narrativas exploradas pela maioria das crianças e adolescentes e isso se dá independente de nível sócio-ecônomico! Você não joga somente usando os famosos (e caros) consoles ou os vídeogames portáteis. É possível jogar online no seu computador, nos tablets e também pelos celulares/smartphones. Notem que quando pensamos em games temos a opção de jogar em diferentes telas digitais e pelo menos uma delas o brasileiro possui em larga escala e cada vez mais cedo, falamos aqui dos celulares! Vejo uma gama enorme de possibilidades educacionais.
Fernanda Tardin: Quais as características essenciais de um professor de sucesso, nos dias atuais?
Débora Sebriam: Eu acho que o professor de sucesso é aquele que se considera e age como eterno aprendiz! Foi-se o tempo em que o professor era a fonte de conhecimento e informações. Atualmente, nós temos novos desafios e na minha opinião um novo papel social.

Fernanda Tardin: Em sua opinião quais as principais orientações que os estudantes precisam receber, dos professores e responsáveis, em relação a sua segurança na internet?
Débora Sebriam: Este é um tema super importante e muitas vezes esquecido ou simplesmente ignorado pelas escolas. Acho que este tema deveria ter lugar privilegiado nas instituições de ensino, assim como, penso que as famílias têm que despertar para a importância de orientar seus filhos e não transferir a responsabilidade toda para a escola. Mas como educar para o bom uso das telas digitais quando não sabemos como intervir, seja por falta de formação ou conhecimento sobre o assunto? Vou tentar dar algumas dicas baseada na minha experiência.
Atualmente, desenvolvo no Centro Educacional Pioneiro (escola particular de São Paulo) o projeto Comportamento, Segurança e Ética na Internet. Este projeto teve início em abril de 2011 e está estruturado em 3 fases:
  • Fase 1: sensibilização (debates com alunos, professores e pais)
  • Fase 2: produção de conteúdo (alunos autores criarão cartazes, folders, blogs, vídeos, sites e todo tipo de mídia da ESCOLHA DELES sobre o assunto)
  • Fase 3: disseminação (estamos estudando licenciar todo material em Creative Commons e compartilhar na rede)
Nós completamos a fase 1 este ano, integrando e chamando a participação toda a comunidade escolar: alunos, professores e famílias! Esta fase se baseou no debate, eu trouxe exemplos e questões norteadoras adequadas a cada faixa etária, nesta fase todos tinham o direito a palavra, a esboçar suas opiniões, o conhecimento foi construído colaborativamente. Vejam que é muito diferente de dar uma palestra, nosso processo não é unilateral e nem centralizador, ele é baseado no grupo e no compartilhamento!
Nestas dinâmicas que chegaram a durar 3 horas seguidas sem que ninguém sequer esboçasse vontade de ir embora, nós falamos sobre alguns temas gerais como:
  • Compartilhamento de dados pessoais,
  • Privacidade,
  • Mundo real x mundo virtual,
  • Comportamento nas redes sociais,
  • Compartilhamento de imagens e vídeos,
  • Videogames e games online,
  • SMS,
  • Sexting,
  • Uso da Webcam,
  • Ciberbullying,
  • Cidadania online.
Para introduzir todos estes assuntos trabalhei com a linguagem dos alunos: o Internetês. Pesquisei os “memes” e “virais” que os alunos tanto falam pelos corredores, editei um vídeo com as pessoas (crianças, adolescentes e adultos) que cairam nas redes por descuido ou vontade própria e trabalhamos com exemplos práticos que ocorreram nas redes socias e conhecidos de todo adolescente conectado. Fizemos o exercício de nos colocar no lugar do outro e pensar sobre nossos sentimentos em relação as situações abordadas para trabalhar questões como respeito, ética e solidariedade, assim como, falamos das vantagens e perigos ocultos nas interfaces e ferramentas mais usadas por eles. Também consultei profissionais ligados a segurança da informação e advogados para tabalhar desde o ponto de vistas das leis, todo esse contato se deu de forma voluntária através das redes sociais, mas sempre integrado aos exemplos práticos trabalhados com os alunos, professores e pais.
Para chegar a este modelo consultei materiais pré-fabricados que trazem informações gerais e que aconselho a todos que precisam de informações iniciais sobre o assunto, como:
Acho que não existe receita de bolo, faça uma pesquisa inicial com seus alunos, descubra as redes e ferramentas que usam e participam, descubra com eles o que é assunto no momento e porque eles se interessam por eles, trace o perfil sobre quem é seu aluno no mundo digital e o que eles consomem e produzem, integre-se! Acho que este é o melhor ponto de partida.


Fernanda Tardin: Fale um pouco sobre seu envolvimento com o Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital.

Débora Sebriam: Considero o Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital um marco na minha carreira e na minha vida. Eu tinha poucos meses de atuação com tecnologia educacional, muitas ideais, muita produção e uma necessidade absurda de debater e compartilhar com meus pares. Foi no Grupo de Estudos que eu encontrei este espaço e as pessoas que tinham os mesmos anseios, dúvidas, medos, motivações, foi da minha troca com este grupo de pessoas incríveis que nasceram grande parte dos meus projetos. No Grupo de Estudos todo mundo tem voz, desde a pessoa que está começando a trilhar seu caminho no mundo da cultura digital até às que têm mais experiência. Essa troca é muito rica, motivadora e realmente muda as pessoas em relação ao seu trabalho, em relação ao entendimento do que é ser professor em tempos de cultura digital. Atualmente eu faço parte da equipe, sou a mediadora de redes sociais e considero uma honra enorme fazer parte de um projeto tão incrível como este. Convido a todos para conhecerem e participarem!

Reprodução: Utilizando Mídias na Educação

Educação, Cultura e Recursos Abertos: compartilhando conhecimentos através de fronteiras

Ocorrerá na UNICAMP, no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), o Simpósio Internacional Educação, Cultura e Recursos Abertos: compartilhando conhecimentos através de fronteiras, nos dias 27 e 28 de outubro.

Este simpósio tem como objetivo discutir dois temas interligados. O primeiro é a produção de recursos digitais, partindo do movimento Recursos Educacionais Abertos (REA). Este engloba princípios de design, disseminação, acesso e inovação focando na liberdade de uso e reuso de conteúdo. No âmbito do ensino, é importante questionar como docente e alunos fazem uso e produzem recursos educacionais e de material didático. Até onde é possível se pensar na necessidade da tradução e/ou adaptação cultural destes recursos prêt-à-porter para “nossa” sala de aula, e a possibilidade real de o fazermos? Temos interesse em reutilizar o que está disponível na Internet? O movimento tem levado a questionamentos sobre o autor e direitos autorais, formatos abertos, e protocolos e padrões para livre troca de informações.

O segundo é a disseminação e inserção destes recursos em espaços que fomentem a equidade de acesso e liberdade de aprendizado para todos fazendo uso das mais variadas tecnologias de informação e comunicação (como a Internet). Já em um patamar que pressupõe a participação ativa do usuário, e se espera que ele transforme estas informações democraticamente acessadas em conhecimento, como pensar este uso? Como agregar, identificar, organizar e disponibilizar esta produção e esta autoria? Para tanto, se propõe um diálogo entre o acesso a informação, a produção de recursos abertos e políticas de desenvolvimento e arquivamento em repositórios ou bibliotecas digitais.

As inscrições podem ser realizadas aqui.

Fonte: Reprodução Educação Aberta

Comportamento, Segurança e Ética na Internet: uma abordagem necessária na escola

Participei em 29 e 30/09 do 1º. Seminário de Direito Eletrônico na Tríplice Fronteira em Foz do Iguaçu. O objetivo do seminário foi prover um ambiente para exposição e discussão multidisciplinar dos temas mais atuais do Direito Eletrônico, tendo a participação de governantes, juízes, promotores, advogados, empresários, profissionais, pesquisadores, educadores e acadêmicos.

Foram debatidos no seminário assuntos como a sociedade da informação, seus benefícios e perigos, a importância do Direito nesse ambiente dinâmico e pouco conhecido, os crimes de alta tecnologia e procedimentos ilícitos no mundo virtual, o processo eletrônico, o monitoramento eletrônico de presos, a segurança da informação, o consumidor eletrônico, as redes sociais, o impacto das novas tecnologia como o IPv6 e o Plano Nacional de Banda Larga, o papel da educação, analfabetismo e o caos digital, a ética e o comportamento na internet, a perícia técnica e a produção de provas eletrônicas e muitos outros temas essenciais para a vida pessoal e profissional na próxima década.

Compartilho com vocês o apoio visual que usei para minha palestra, onde fui contar um pouco do projeto que desenvolvo no Centro Educacional Pioneiro. Nosso projeto é dividido em 3 fases:

  • Fase 1: sensibilização (debates com alunos, professores e pais)
  • Fase 2: produção de conteúdo (alunos autores criarão cartazes, folders, blogs, vídeos, sites e todo tipo de mídia da ESCOLHA DELES)
  • Fase 3: disseminação (estamos estudando licenciar todo material em Creative Commons e compartilhar na rede)

Agenda do Evento

REA: a educação no mundo digital

No dia 20 de setembro, o Cenpec realizará o encontro Recursos Educacionais Abertos: a educação no mundo digital, que irá promover um debate sobre o impacto da proposta dos REA na área da educação, abordando questões como democratização do acesso ao conhecimento e valorização da autoria do professor.

O evento ocorrerá em São Paulo e terá transmissão online, das 17h00 às 19h30 por meio do site do Cenpec e da Fundação Vanzolini.

Reprodução

Fonte: Portal Cenpec

Entrevista REA

Olá pessoal! Compartilho aqui a entrevista que dei ao blog REA. Vocês estão trabalhando nesta perspectiva? Quem gostaria de trocar figurinhas comigo? Comentários e sugestões são sempre bem-vindos.

Quando e como descobriu REA?

Descobri os Recursos Educacionais Abertos em 2007, quando iniciei meu mestrado na área de Tecnologia Educacional. Na verdade, tratava-se de objetos de aprendizagem (hoje sei que não é a mesma coisa) e na época ninguém estava tão preocupado com licenças e remixagem, mas sim com formatos e distribuição de materiais que pudessem ser usados pelo maior número possível de educadores. Naquele contexto, a criação estava focada nas universidades que recebiam verbas para este fim, mas nós já éramos estimulados a criar recursos e distribuí-los pela internet. O grande problema na época é que cada repositório usava um formato diferente e esta discussão estava “em alta”. O foco era a reutilização e faltava incentivo para a produção.

Comecei a trabalhar na escola com Tecnologia Educacional em 2010 e foi então que comecei a fazer um estudo mais profundo sobre REA. Em princípio, incomodava-me o fato de os alunos acharem que os conteúdos disponíveis na internet não tinham “dono” e que os professores utilizavam materiais de busca na internet sem citar as fontes. É como se no imaginário coletivo fontes fossem somente a dos livros e o material digital como imagens, vídeos e animações não estivesse inserido nesta premissa.

A discussão sobre REA se abriu com intensidade pra mim quando comecei a participar do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital (projeto do Programa Educarede Brasil, iniciativa da Fundação Telefônica em parceria com a Organização dos Estados Iberoamericanos com execução do Instituto EducaDigital). Ali havia outros educadores tão cheios de dúvidas quanto eu e era possível estabelecer uma discussão e reflexão coletiva para ampliar os horizontes. Por meio do Grupo de Estudos descobri o blog “rea.net”, que na minha opinião, é um espaço importante para sanar dúvidas e acompanhar iniciativas interessantes.

Que experiências/projetos/ideias desenvolveu?

Comecei a usar REA quando criei um projeto diferenciado de uso de tecnologia focado no protagonismo com os alunos de 4 a 10 anos do período integral opcional do colégio em que trabalho. Fazia questão também de expor e refletir com eles sobre os materiais que usávamos e assim, desde muito pequenos, eles internalizavam conceitos importantes como autoria e o compartilhamento da cultura. Começamos como usuários e gradativamente estamos nos tornando autores, publicando nossos trabalhos criativos no nosso blog de trabalho. Por aqui, trabalhamos muito com games, fotografia e vídeos.

Aos poucos comecei a estender esses conceitos importantes para os alunos do ensino fundamental II e ensino médio em projetos que os professores denominam “avaliação diferenciada”. Foi a brecha que encontrei para discutir com eles a questão dos recursos educacionais abertos. Nós simplesmente construímos o assunto durante a execução dos trabalhos. Eu tento ajudá-los a redirecionar a pesquisa incentivando-os a usar REA e também a produzir, fortalecendo assim essa troca importante de experiências educativas.

Depois de muita pesquisa, leitura e troca com educadores de todos os cantos do país, principalmente por meio do Twitter e Facebook, em julho/2011, ofereci a 1ª oficina do colégio que abordava o tema Recursos Educacionais Abertos para todos os professores. A adesão foi opcional e o número de participantes foi pequeno, mas entre eles, estavam 90% dos coordenadores de área, fato que achei relevante para que a informação comece a circular e ganhar força. Novas intervenções estão previstas para este ano ainda.

Também mantenho um blog onde escrevo e divulgo informações basicamente sobre educação e cultura digital e resolvi colocar nele e em todo material de minha produção o selo do Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa que se interesse pelos temas que produzo reutilize, distribua e remixe estes materiais.

Pra você, o que é REA

Tenho estudado tanto sobre REA que é inevitável que me venha à cabeça uma definição quase que decorada! REA são materiais educacionais que podem ser utilizados, alterados, remixados e compartilhados livremente. Entretanto, com minhas palavras, REA significa a possibilidade de aceder e compartilhar o conhecimento livremente, é uma verdadeira quebra de paradigma, a possibilidade de partir da situação de receptor (ainda que esta possibilidade exista) que reinou na educação por tanto tempo, e se tornar autor e protagonista da aprendizagem individual e coletiva.

É uma possibilidade incrível de criação colaborativa dentro do nosso próprio contexto e de libertação de sistemas pré-determinados, como seguir apostilas e/ou cartilhas, afinal, nem sempre estes materiais fechadinhos contemplam as regionalidades e os objetivos que gostaríamos de alcançar.

O que espera como próximos passos dos REA no Brasil?

Eu sinto que existe uma carência muito grande de materiais em língua portuguesa. Acredito que seria necessária alguma estratégia para que a filosofia REA chegasse às escolas de fato e esta ideia fosse multiplicada e integrada. A história conta que estas iniciativas deram certo enquanto existia financiamento e quando o dinheiro acabou os projetos não tiveram continuidade.

No âmbito das escolas, acredito que o 1º passo seria ter uma frente de capacitadores/dinamizadores. Abordagens online e a distância também seriam bem-vindas, não somente com o uso de plataformas EAD como o Moodle, mas também em redes abertas e mais dinâmicas com a criação de grupos no Facebook, tag permanente no Twitter. A própria comunidade REA poderia contribuir realizando Twitcams com periodicidade. Essas são apenas algumas possibilidades que me vêm à cabeça.

No âmbito dos governos, seria um passo importante, por exemplo, ter projetos semelhantes ao Projeto Folhas do estado do Paraná. Tornar ou dar oportunidade para que professores e alunos se tornem autores e usem formatos abertos depende de mudanças na estrutura, e sabemos que a escola é uma instituição que resiste às mudanças e muitas vezes, teme o novo.

Outra questão seria definir e divulgar em massa um local onde esses materiais poderiam ser encontrados e/ou compartilhados pelos professores e alunos de escolas públicas e privadas.

O que diria para educadores que desejam começar a trabalhar por e com REA

O que posso dizer é que se você é educador, tem interesse e/ou conhece um pouco sobre REA, participe das comunidades e/ou grupos, procure ampliar os horizontes, discuta, reflita com seus pares e não deixe de levar a ideia adiante na sua instituição. Dificilmente os professores da sua escola vão descobrir os recursos educacionais abertos sozinhos, é preciso que todos sejamos co-responsáveis por disseminar esta ideia.

Débora Sebriam é educadora, integrante da equipe de Tecnologia Educacional do Centro Educacional Pioneiro, mediadora de redes sociais do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital e Instituto EducaDigital.

De consumidores passivos a produtores do conhecimento

Experiências do Centro Educacional Pioneiro e Colégio Visconde de Porto Seguro sobre alguns usos da Tecnologia na Educação.

O Colégio Visconde de Porto Seguro está montando uma grande equipe de especialistas em Tecnologia da Educação, que deverá chegar ao número de 30 pessoas até o final deste ano e terá como finalidade fazer a inserção das chamadas TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) no desenvolvimento de seu projeto pedagógico. “Estamos olhando a tecnologia como meio e não como fim, como instrumento de trabalho do aluno e do professor, colocando ambos como autores e produzindo conteúdo através desses recursos”, afirma Renata Pastore, diretora de Tecnologia da Educação da escola, especializada em Mídias Digitais para a área. Já o Centro Educacional Pioneiro implantou um Programa de Informática Educativa para atender aos seus alunos do horário integral, mas dispõe de especialistas que auxiliam professores e alunos no uso dessas tecnologias em suas atividades curriculares.

Os dois casos ilustram bem a expansão do uso de softwares, games e recursos interativos da web 2.0 como recursos de ensino-aprendizagem. Revelam ainda uma tendência e uma transição. Na transição, observa-se que as antigas aulas de informática, que tinham como foco apenas ensinar o aluno a usar a nova ferramenta, deram lugar a uma nova postura, de domínio e produção de conhecimento a partir da aplicação desses instrumentos. Já a tendência aponta para a incorporação crescente da tecnologia como componente indispensável ao desenvolvimento do projeto pedagógico.

No Colégio Porto Seguro, que possui unidades nos bairros do Morumbi e Panamby, zona Sul de São Paulo, e no município de Valinhos, 1.200 máquinas estão hoje voltadas ao uso exclusivo pelo setor pedagógico, “100% delas com cobertura Wi-Fi”, diz Renata.

Até o final deste ano, cada sala de aula da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental estará equipada com lousas digitais, mas todas as salas do colégio já dispõem de computadores. A equipe que está sendo montada pretende, justamente, dar suporte aos professores. Com 10.500 alunos nas três unidades, o Porto Seguro tem hoje cerca de 800 docentes. Parte da capacitação será realizada por meio de um convênio com a Microsoft, de formação de professores inovadores, mas há também educadores que já estão recebendo MacBook Pro, uma plataforma concorrente, para trabalhar com os alunos. Segundo a professora da equipe, Bianca Santana, pesquisadora, mestranda e especialista na área, a intenção é oferecer “diversidade” aos alunos e educadores, o que inclui até oficinas de desenvolvimento de novos hardwares a partir do reaproveitamento de materiais obsoletos.

Nesse sentido, as diferentes plataformas, softwares (livres ou não), jogos e redes vinculadas à web 2.0 acabam compondo um rico mosaico de possibilidades de exploração e reconstrução do conhecimento. Segundo Débora Sebriam, coordenadora de Tecnologia Educativa do Centro Educacional Pioneiro, escola localizada na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, há forte tendência para um uso cada vez maior das redes sociais, como Twitter, YouTube e Facebook. Mestre em Engenharia de Mídias para a Educação, Débora revela, por exemplo, que neste semestre programou com os alunos o desenvolvimento de atividades com o Twitter e produção de animações para publicação no You Tube.

Os softwares, para sobreviver neste contexto, terão que se integrar às redes sociais, pois a grande vantagem destas, segundo pontua Débora, “é a possibilidade de abrir e compartilhar conhecimento, gerar debates, críticas e colaborações, inspirar outras iniciativas”. O Twitter, com sua limitação de 140 caracteres, auxilia no desenvolvimento de textos claros e objetivos. O Facebook, por sua vez, amplia a possibilidade de debate em um grupo, permite inserir notas e comentários. “Ele possui recursos para se transformar em uma plataforma educativa”, observa Débora, destacando que algumas instituições de ensino superior já o utilizam com essa finalidade.

Na abordagem com os professores, o especialista procura orientar sobre qual dessas ferramentas melhor se adapta às ideias ou projetos. “Pode ser a web 2.0 (com blogs, redes sociais e recursos como o Google Earth ou Google Art Project), games ou softwares de autoria, como o Visual Class ou o Hot Potatoes, que fornecem possibilidades de se montar um roteiro inteiro de associações, palavras cruzadas, jogo da memória.” Ambos os softwares são indicados, por exemplo, para os processos de alfabetização, enquanto as redes sociais podem ser trabalhadas a partir do 5º ano. O 2º ano do Ensino Médio do Pioneiro utilizou a ferramenta Google Sketchup em suas aulas de Desenho Geométrico, quando foram tratados elementos como Prisma, Pirâmide, Cilindro e Cone (confira no link http://piomedio. blogspot.com/2011/06/2oem–usando-google-sketchup-nas-aulas. html). Os estudantes do 9º ano, por sua vez, conquistaram o 3º lugar em um concurso de produção de vídeos digitais, o KWN (Kid Witness News), promovido pela Panasonic, abordando o tema da comunicação e explorando os perigos ocultos e inerentes às redes sociais (confira em http://pioneironews.blogspot.com/2011/04/concurso–panasonic-kwn-2011-somos-3.html).

RECURSOS LIVRES
Uma das possibilidades das escolas é optar por programas de uso livre, os quais se inserem na concepção dos chamados Recursos Educacionais Abertos. A educadora Bianca Santana, participante do Projeto REA-Br, afirma que este conceito atinge a qualquer material que o professor venha a utilizar em seu trabalho, de livros impressos a softwares. Segundo ela, os produtos têm um autor, que deve ser reconhecido e remunerado, mas a ideia é poder produzir algo novo em cima deste trabalho, dando ao professor a possibilidade de adaptá-lo a uma realidade ou região.

“O professor sai então do papel passivo de consumidor para uma posição ativa de autor e pode convidar o próprio aluno a também se tornar um autor”, complementa. Mas Bianca defende que as escolas possibilitem o acesso dos estudantes a todos os tipos de softwares, mesmo os licenciados, “para mostrar aos alunos a diversidade dos sistemas operacionais, permitindo a eles ser fluentes em diferentes linguagens e plataformas móveis”. Bianca arremata que “autonomia” e “diversidade” são duas palavras-chaves em tecnologia educativa. “O papel da escola é convidar o aluno para ser sujeito da produção”, arremata a pesquisadora.

Por Rosali Figueiredo

 Matéria publicada na Revista Direcional Escolas – Edição 70 – Ago/11

Evento: Política Cultural e Direitos Autorais

No dia 24/08, no Auditório do Ibirapuera em São Paulo estarão reunidos, a partir das 20h, alguns dos principais nomes que pensam a política cultural no Brasil e internacionalmente.

A mesa será formada por Lawrence Lessig, professor da universidade de Harvard e renomado especialista em direito autoral  (co-fundador do projeto Creative Commons), Gilberto Gil, músico e ex-ministro da cultura, Danilo Miranda, diretor geral do SESC São Paulo, Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedae da Fundação Getulio Vargas, Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e Claudio Prado, da Casa de Cultura Digital de São Paulo e a deputada Manuela D´Ávila.

O evento é organizado pelo Auditório Ibirapuera, dentro da série Pensar Música, em parceria com o Instituto Overmundo, o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e a Casa de Cultura Digital.

A entrada é franca, por ordem de chegada, até completar a capacidade de 800 lugares. Haverá disponibilização de 200 fones de tradução simultânea.

Fonte/Reprodução: CTS-FGV

Como os estudantes usam a tecnologia?

Students Love Technology
Via: OnlineEducation.net

Tour Virtual por Machu Picchu

ReproduçãoReprodução

Quem nunca desejou conhecer essa maravilha da humanidade? E na escola, quão legal seria poder dar uma voltinha por lá? Isso já é possível e apresento 2 possibilidades de imersão.

Podemos fazer um tour por Machu Picchu através de um passeio criado pelo Panoramas do Peru. Estão a disposição do visistante virtual 11 panoramas dos principais ambientes do Santuário, como o templo do Sol,  Intihuatana e o inteiror da Huayrana.

Acesse e boa visita: http://www.panoramas.pe/machupicchu100.html

Outra opção, criada pela universidade peruana San Martín de Porres, é uma detalhada recriação virtual de Machu Picchu. O ambiente escolhido por eles foi o Second Life. O passeio permite ao turista virtual conhecer as ruínas da famosa cidade inca.

Acesse: http://slurl.com/secondlife/USMP%203D/153/10/30

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