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PNBL deveria focar mais do que infraestrutura

Em entrevista divulgada no Guia das Cidades Digitais, mais uma vez, reitero minha opinião sobre a necessidade de uma ação para disseminar a ideia dos cuidados básicos que devemos ter ao navegar na internet.

Reproduzo abaixo a matéria e de antemão gostaria de saber a opinião de vocês sobre o tema, se concordam ou não comigo, o que acrescentariam a uma proposta deste tipo e por aí vai.

Debora Sebriam, educadora e mestre em Engenharia de Mídias para a Educação, acredita que o fomento ao uso da internet no Brasil deveria ir além do barateamento de custos de acesso. Para ela, é essencial incentivar um uso criativo e seguro da rede mundial de computadores

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) finalmente começou a sair do papel. O foco do programa e da maioria das críticas a ele direcionado é a conexão. Muito se fala de custos e formas de acesso, mas pouco se discute sobre como a população recém-chegada à rede mundial de computadores a usará. Para a educadora Debora Sebriam, mestre em Engenharia de Mídias para a Educação pela Universidade Técnica de Lisboa, pela Universidade Poitiers (França) e pela Universidade de Educação a Distância da Espanha, a falta de uma vertente educativa é o grande problema.

Nesta entrevista ao Guia das Cidades Digitais, Debora Sebriam explica seus argumentos e alerta para a necessidade de uma campanha pelo uso criativo e seguro da internet no país. Longe de querer controlar a utilização da rede, ela acredita que o uso básico da internet pode ser alcançado de maneira quase intuitiva. O problema seria como ir além da simplicidade sem cair em golpes, expôr-se em excesso ao mesmo tempo em que não haja censura na rede.

Segundo a educadora, que hoje trabalha no Centro Educacional Pioneiro e no Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital realizando a gestão de Redes Sociais, a adoção de práticas polêmicas, como o download de arquivos e seu compartilhamento, deve ser incentivada, pois faz parte da nova forma de educar da atualidade.

Guia das Cidades Digitais – Em um recente evento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), você fez críticas ao PNBL. Poderia expô-las novamente?

Debora Sebriam – Na verdade, um dos focos do evento foi a educação, e a minha crítica é que informações sobre segurança, comportamento e ética são temas não privilegiados se pensarmos na divulgação de larga escala. Qualquer pessoa é capaz de aprender a “navegar” por estes novos mares sozinha, aos poucos as pessoas vão se apropriando de ferramentas que fomentam a comunicação, a colaboração e o compartilhamento de informação e conhecimento.

Entretanto, existem muitas lacunas que nem sempre são possíveis de serem preenchidas pela simples curiosidade do usuário, e não é à toa que vemos um cenário de superexposição das pessoas, principalmente nas redes sociais, e de golpes cada vez mais frequentes envolvendo roubos de dados, por exemplo. Acredito que seria interessante adicionar ao PNBL, além do acesso à internet, campanhas de âmbito nacional que levem informações concretas à população sobre crimes digitais, pedofilia, os limites da exposição e outros temas de interesse.

GCD – Você defende o uso ético das mídias digitais. Como ele pode ser ensinado e garantido?

Débora – O primeiro ponto seria desmistificar que existe uma vida online “anônima”, separada da vida “real”. A nossa imagem é a mesma “dentro” das mídias sociais ou fora delas e tudo o que fizermos online será considerado parte de nossas ações. Portanto, o respeito, a solidariedade e a ética valem para todos os meios de convivência a que somos expostos, inclusive o online. O que temos até o momento são cartilhas impressas e online e alguns vídeos informativos direcionados muitas vezes a crianças, mas nem isso chega de fato a todas as escolas do país, quanto mais a toda população. Acredito que o melhor meio seria o que atinge o maior número de pessoas e, neste caso, a televisão seria uma opção, e, é claro, as redes sociais, que absorvem um número cada vez maior de pessoas em nosso país.

GCD – Há diversas tentativas de se regular o uso da internet no Brasil por meio de leis. É uma boa maneira de se evitar crimes e infrações?

Débora – Quem comete os crimes parece estar sempre um passo à frente, portanto, aceitar leis que criem o vigilantismo sobre o usuário comum, guardando seus dados de navegação e identificação, seria na verdade mais um motivo de preocupação. Outro ponto é criminalizar práticas que se tornaram comuns conforme fomos avançando na cibercultura, como a digitalização de músicas, o desbloqueio de celular, o compartilhamento de outro tipos de arquivos, que na verdade favorecem o acesso à cultura livre e também faz com que o autor alcance um maior número de pessoas. Ao invés de tentar coibir algo que se tornou cultural e nadar contra a maré, não seria mais viável pensar em alternativas criativas, como a adoção de licenças flexíveis? Acredito que vivemos novos tempos, estamos no meio de um furacão de mudanças que envolvem a maneira como compramos, nos relacionamos, nos comunicamos. Um momento delicado como este merece aprendizagem e discussão coletiva e não proibições e criminalização.

GCD – Em muitos casos, as campanhas educativas utilizam termos próprios de usuários avançados. Qual seria a melhor maneira de se falar para a população em geral?

Débora – Temos aqui uma grande oportunidade de unir forças entre universidades, empresas ligadas a publicidade e marketing, educadores do ensino básico, advogados e outros profissionais para discutir a melhor maneira de se passar uma mensagem que seja objetiva, tenha alcance e que seja compreensível a todos.

GCD – De quem é esse papel de educador? Do Estado? Das principais companhias de internet?

Débora – Não temos mais como distribuir funções como nas fábricas de antigamente, seria interessante começarmos a pensar como “sociedade”, fazer uma chamada pública e convidar todos que tenham interesse para contribuir. Sem dúvida, acredito que a escola é um local privilegiado para se trabalhar com o tema, além de ter professores e alunos como público, pode-se ampliar as ações para os pais e/ou comunidades a que as escolas fazem parte. Neste contexto, todos teriam responsabilidades, escolas públicas e particulares. Em outros contextos, as grandes empresas de comunicação e companhias de internet poderiam contribuir cedendo espaço para divulgação e disseminação de materiais da campanha.

GCD – Como evitar que essa educação se torne doutrinária e cerceadora da livre expressão?

Débora – Uma das grandes características da web que conhecemos hoje é o poder do usuário sobre o conteúdo construído. Todos podem e têm espaço para deixar seu recado. O direito à liberdade de expressão e dos processos de criação deve ser mantido em todas as circunstâncias e este direito deve ser usado com responsabilidade e respeito sempre. Qualquer possibilidade de coibir o avanço da cibercultura seria um retrocesso.

GCD – Você destaca, em suas falas e artigos, a necessidade de utilizar as TICs [Tecnologias da Informação e Comunicação] para criar. Há exemplos positivos neste sentido?

Débora – As TICs definitivamente revolucionaram o processo de criação. Vemos artistas independentes que usam todo o poder da web para divulgar seus trabalhos e ganham fãs e reconhecimento pelo seu talento. No caso da escola, os computadores e outros equipamentos como lousas eletrônicas e tablets mudaram em parte a dinâmica das salas de aulas e proporcionaram momentos de criação que deixaram de ser unilaterais para serem coletivos. Agora estamos na busca de um novo patamar. Do que adianta ter equipamentos avançados que possibilitam a criação e a reflexão coletiva se não mudamos a metodologia? Estamos em busca de um novo jeito de fazer educação. Não será fácil, mas não existe outro caminho.

Fonte: Guia das Cidades Digitais

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Temos computadores e internet! E agora?

Matéria divulgada no Convergência Digital sobre o Seminário Plano Nacional de Banda Larga: Analfabetismo Digital e Responsabilidade Objetiva, realizado dia 20/05, na sede da OAB/SP.

Participei do evento ao lado de Regilberto Girão, Janice Ascari, Lincoln Werneck, Erasmo Guimarães, Higor Jorge, José Luis Dadário e Coriolano ALmeida Camargo Santos, onde nosso objetivo foi discutir a educação cidadã online frente ao PNBL.

Afinal, que elementos daremos aos cidadãos para a navegação ética e segura na internet? Que medidas serão tomadas frente as ondas frequentes de racismo e ódio disseminadas por usuários com a desculpa de que tudo não passou de brincadeira? Como lidar com a exposição exacerbada de crianças que ainda veem o mundo digital como algo desconexo da vida cotidiana? Estas são algumas questões que tínhamos em mente. Na minha modesta opinião, a internet, a educação para os meios, fazem parte da cultura e não podem ser dissociadas e muito menos renegadas.

A matéria pode ser conferida aqui: Convergência Digital

Não deixe de ver a exposição de Regilberto Girão que foi o “pontapé inicial” para colocarmos na mesa as nossas ideias e também Linconl Werneck anunciando o Instituto Coaliza.

Seminário Plano Nacional de Banda Larga

Seminário Plano Nacional de Banda Larga

Comissão de Crimes de Alta Tecnologia da OABSP promove Seminário sobre Plano Nacional de Banda Larga – PNBL e Segurança da Informação e Comunicações – SIC

No dia 19 de maio, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo (OAB-SP), debaterá os aspectos que envolvem a inevitável e necessária popularização do uso da internet, bem como sobre os riscos previsíveis quanto ao uso ainda imaturo das infraestruturas tecnológicas por boa parte da população brasileira.

Por meio do seminário, a OAB-SP quer ampliar o debate sobre o que o governo federal pretende em relação ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), demonstrando que a sociedade brasileira protagoniza fase intermediária e adaptações ao mundo digital. Tais adaptações reservam rearranjos sociais que se vêem aquém da evolução tecnológica, bem como da evolução exponencial de conhecimento e sabedoria dos que insurgem contra os princípios da liberdade e das boas práticas no uso das ferramentas digitais.

Outro objetivo é tratar da consciência cidadã quanto aos riscos e vulnerabilidades existentes e ainda por existir, como também do desprovimento de educação gradual e continuada da sociedade, que está exposta ao potencial uso de seus recursos tecnológicos por indivíduos que têm a capacidade de fazê-la mero instrumento de suas vontades para a prática de ilícitos.

O seminário será dividido em dois painéis. O primeiro abordará o tema A nova plataforma da internet – seu potencial, segurança e aspectos forenses e terá como debatedores: Antônio Luiz Rigo, doutor em Engenharia de Sistemas pela Escola Politécnica (USP) e mestre em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA); Adjabir Fernandes, publicitário e consultor em Projetos de Engenharia e Logística; Volnys Borges Bernal, mestre e doutor em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP, auditor de segurança com certificação CISA/ISACA e pesquisador do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP e por Giuliano Giova, master of science e perito judicial em questões de Tecnologia da Informação e Telemática.

 O segundo painel, que será apresentado à tarde, colocará em debate o tema Plano Nacional de Banda Larga, Analfabetismo Digital e Responsabilidade Objetiva e terá como debatedores Regilberto Girão, especialista em Segurança Corporativa, Segurança da Informação e Comunicações e Crimes Cometidos por Meios Digitais, Higor Vinícius Nogueira Jorge, delegado de Polícia Civil do Estado de São Paulo, além de professor de Análise de Inteligência Policial da Academia da Polícia Civil, professor universitário e especialista na Investigação de Crimes Cibernéticos, pela procuradora Regional da República na 3ª Região, Janice Agostinho Barreto Ascari, e por Débora Sebriam, educadora e mestre em Engenharia de Mídias para Educação.

O evento é promovido pela Comissão de Crimes de Alta Tecnologia da OAB-SP e ocorrerá no Salão Nobre da entidade. A comissão é presidida pelo advogado Coriolano A. Almeida Camargo Santos e vice-presidida pelo advogado Marco Aurélio Pinto Florêncio Filho.

As inscrições devem ser feitas por meio do site da OAB/SP http://bit.ly/gJbGol, mediante a doação de uma lata ou pacote de leite integral em pó – 400g, que deverá ser entregue no inicio de cada painel na recepção do evento.

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